quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Polícia Militar reprime brutalmente manifestação

Em Teresina, 170 estudantes foram presos por realizarem manifestação contra aumento da passagem de ônibus


11/01/2012

Da Redação

Estudantes de Teresina (PI) foram reprimidos pela Polícia Militar por realizarem uma manifestação pacífica na avenida contra o aumento da passagem e a cobrança da integração de ônibus, na terça-feira (10). 

A PM atirou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação que fechava a Frei Serafim, principal acesso a capital piauiense. Depois disso, feriu, arrastou e prendeu estudantes. A Cavalaria também foi acionada.

Um vídeo registra o momento em que um bloco de policiais parte em direção aos civis, que reagiram com gritos e bolas de papel. Os PMs recuaram para, em seguida, abrirem espaço para a tropa de choque atirar contra os manifestantes. Segundo a assessoria da imprensa da PM, 170 estudantes foram presos depois da repressão.

Nas redes sociais circula ainda uma foto de um estudante de direito que foi agredido pela PM por participar dos seguidos protestos que ocorrem na cidade. Ele está com os olhos machucados e com o rosto ensangüentado. 

Os estudantes querem a gratuidade do sistema de integração entre os ônibus e são contra o aumento da passagem de R$ 1,90 para R$ 2,10 na capital.



"Carta aberta aos Sr. Gustavo Varella e a tod@s aqueles que gritam por repressão aos quatro ventos,

nos idos de 2007 o Movimento Estudantil da Universidade Federal do Espírito Santo estava contrário a um plano do Governo Federal de ampliação de vagas, chamado REUNI. @s estudantes eram contrários a esse plano pois ele não previa nenhuma contrapartida em estrutura para manter tais estudantes na Universidade. Hoje, podemos ver que as previsões do ME eram certeiras, e muitos cursos foram abertos sem professores, sem prédios, sem assistência, ou seja - ampliação para inglês ver.

Naquele momento, como era de se esperar, houve uma grande repressão do governo. Em uma ocupação, legítima, decidida em fóruns do Movimento da Universidade, a Administração Central da UFES, absurdamente, decidiu colocar toda a vigilância federal para coagir @s estudantes. Socos, cacetetes e até a Polícia Militar foram chamados para agredirem e não deixarem @s manifestantes se manifestarem. A consequência disso foi uma série de intimações sofridas por uma série de estudantes para depor na Polícia Federal.

Foi nessa época que conheci o sr. Gustavo Varella. Foi-nos indicado o nome dele, e inclusive seus gordos honorários foram pagos por apoiadores do movimento, para ser advogado dos indiciados. Claro que ficamos com o pé atrás, não era o advogado com que estávamos acostumados a lidar. Não era advogado de movimento social, mas quem o indicou nos garantiu que era um ótimo advogado e que entenderia a demanda do coletivo. Eu me lembro da reunião que fizemos, um bonachão, rindo de tudo e nos dizendo para ficarmos tranquilos já que estávamos apenas defendendo nossos direitos. Mesmo que não tenha nos acompanhado nas intimações, essas foram muitro tranquilas e saímos da Federal apenas com um susto.

Hoje, cerca de 5 anos depois, @s estudantes estavam, legitimamente também, se manifestando contra o absurdo do aumento anual das passagens de ônibus. O movimento contra o aumento pede para que o Governo ouça, decentemente, a sociedade civil antes de decidir o aumento e que seus argumentos para o mesmo sejam mais razoáveis. Pede também passe livre para estudantes e desempregad@s. Normalmente, e esse ano não pôde ser diferente, o Governo coloca a força coercitiva do Estado para reprimir e agredir @s manifestantes. Infelizmente isso é comum no sistema em que vivemos mas não podemos nos acostumar.

A diferença desse momento foram as redes sociais. Ouvimos uma série de pessoas que não conhecemos apoiando o movimento e também pessoas contrárias. O que não esperávamos ouvir, e é aí que o sr. Gustavo Varella entra na história, em uma série de declarações de advogados contrários ao movimento de uma das formas mais absurdas possíveis. O advogado em questão disse, sem tirar nem por, o seguinte: "Espero que o Governo do ES dessa vez baixe o sarrafo, cubra de porrada quem atentar contra a ordem pública. Quem será o interlocutor do Gov?".

Não entendo o que mudou de lá para cá, não entendo o que mudou no mundo para que um advogado que há 5 anos atrás defendeu um movimento reivindicatório ser tão absurdamente reacionário (e criminosos) como o mesmo que fez essa declaração. Talvez o dinheiro no bolso dele. Hoje, sinto vergonha de ter participado daquela reunião com ele, sinto vergonha de ter sido defendido e representado pelo mesmo. Termino essa carta declarando total apoio aos manifestantes e seus pedidos. Não podemos aceitar um governo, eleito pelo povo, agredinto a população do estado. Fora Casagrande! Fora Gilvado! E por último, mas não menos importante, fora Gustavo Varella! Não nos representa!

Ricardo Nespoli, estudante, trabalhados e manifestante!"

NOTA PÚBLICA DE APOIO ÀS MANIFESTAÇÕES CONTRA O AUMENTO DA PASSAGEM EM TODO O BRASIL

LOGOFENED
Nota pública de apoio às manifestações contra o aumento das passagens do transporte público coletivo em todo o Brasil

Aproveitando a desmobilização no período de festas e o início de 2012, uma série de prefeituras em todo o país, com discurso de “melhoria na qualidade” dos serviços públicos, reajustou a tarifa do transporte público coletivo municipal e intermunicipal. No primeiro dia do ano houve aumento em São Caetano-SP e Diadema-SP. No domingo (02) passou a valer os novos valores das passagens no Rio de Janeiro-RJ e em Salvador-BA. Na segunda-feira (03) foram reajustadas as tarifas em João Pessoa-PB e Santo André-SP. Na quarta-feira (5), Guarulhos-SP, Joinville-SC e São Paulo-SP, em Belo Horizonte-MG, o reajuste ocorreu no dia 29 de dezembro de 2011. Em Teresina-PI, após a retirada da proposta de aumento diante das manifestações populares no meio do ano, retomou-se, recentemente, a tentativa de aumento. Como se não bastasse, há previsão de reajuste para outros municípios do país.
Sendo o transporte público um serviço essencial para toda a população, os reajustes que em algumas cidades beiram os 20%, contrastam com a precariedade do serviço oferecido pelas empresas de transporte. O discurso de melhoria da qualidade mascara a verdadeira intenção da ampliação dos lucros de setores da iniciativa privada. As conseqüências do aumento atingem principalmente os mais pobres, que dependem exclusivamente deste serviço para estudar, trabalhar e consequentemente sobreviver.
Diante dessas medidas adotadas pelo poder público, comitês e frentes populares com o apoio do movimento estudantil, outros movimentos sociais e partidos de esquerda começam a se organizar e realizar manifestações e atos nos diversos municípios em que o aumento das passagens foi aprovado. A reação do poder público veio em seguida: ao invés de uma abertura para o diálogo e demonstração de respeito frente à evidente revolta da população, a resposta veio através de repressão policial, que é a resposta do Estado para as mobilizações populares.
Apesar de pouco noticiado pelos diversos setores da mídia de massa, em São Paulo e Teresina, por exemplo, diversos militantes saíram feridos após serem reprimidos de forma violenta pela PM. Entendemos estarmos diante de uma inegável contradição, onde o poder público deixa de lado a democracia e responde a população com violência digna dos tempos de ditadura civil-militar, como o que aconteceu com Lucas Brito, estudante de Direito de Teresina, militante extensionista, que foi brutalmente agredido pelo Batalhão de Choque da PM, tendo seu rosto marcado por diversos hematomas, durante manifestação contra o aumento da passagem naquela cidade.
A grande mídia cumpre seu papel na criminalização dos movimentos sociais e das lutas da população, em defesa dos grandes empresários ao transmitir o discurso de “vandalismo” e “bandidagem”, muitas vezes clamando pela “repressão” aos manifestantes, tal qual aconteceu nas ocupações de reitorias e outras manifestações ao longo do ano de 2011. Não foi noticiado o apoio popular às manifestações, nem a truculenta ação policial. O poder público, mais uma vez, utiliza o discurso jurídico da legalidade para justificar a contínua precarização dos serviços públicos em todo país, e o processo de enriquecimento das empresas monopolizadoras da administração do setor.
Estamos em mais um ano de eleições municipais, repetem-se as velhas promessas daqueles que hoje se encontram no poder, entre elas, o aperfeiçoamento do transporte público coletivo visando a melhoria na qualidade de vida do trabalhador brasileiro. A realidade infelizmente é outra. As promessas são deixadas de lado e a única resposta assegurada a população é aquela oriunda do aparelho repressor do Estado contra os próprios cidadãos.
A FENED (Federação Nacional de Estudantes de Direito) entende que as recentes medidas adotadas pelos poderes públicos municipais, além de deslegítimas, representam uma verdadeira violência contra o trabalhador e toda a população do país dependente deste serviço. Manifestamos apoio às mobilizações que ocorrem em todo país, uma vez que é legitimo a população mostrar sua indignação através de protestos e da resistência popular em reação a constante repressão estatal.

FENED nas ruas, juventude na luta!
Janeiro de 2012.

Oito pessoas presas durante manifestação #contraoaumento são transferidas para presídios

Dentre os presos, está um senhor de 65 anos

Dentre as 17 pessoas presas, na noite de ontem (10), durante a ação violenta da polícia para conter manifestantes dos protestos #contraoaumento, oito foram transferidos ainda na manhã de hoje (11) para penitenciárias estaduais do Piauí. Os presos não ficarão em celas separadas e dividirão o espaço com os outros presos das Casas. Advogados das entidades estudantis e sindicais estão tentando apresentar um pedido de habeas corpus coletivo para liberar as pessoas.
Seis dos presos, todos homens, dentre eles um senhor de 65 anos, foram levados para a Casa de Custódia do Piauí. O restante dos rapazes presos têm idades entre 18 e 25 anos.
Os nomes dos homens presos são Francisco de Sá Batista (65), Kevin Nogueira Fontes, Aloíso Souza, Antônio Wilson Júnior, Igor Galvão e um outro jovem que a família preferiu que tivesse o nome omitido. O senhor Francisco de Sá sofre de hipertensão e chegou a passar mal durante a noite.
As outras duas pessoas, mulheres, uma de 45 e outra de 23 anos, estão sendo conduzidas até a Penitenciária Feminina do Piauí. Elas se chamam Maria do Socorro Santana de Sousa (45) e Helena Beatriz Soares de Sá (23).
Helena é filha da professora e militante do PCO, Lourdes Melo, que comentou a ação da polícia e disse ter sido "gravíssima" a forma como a polícia agiu para conter os manifestantes. "Minha filha foi gravemente agredida, arrastada pelos cabelos por parte dos policiais. Depois, passou a noite algemada na Central de Flagrantes. Os PMs que cometeram essas ações serão punidos?". Questionou.
No momento, há muitas pessoas na Central, grande parte familiares das pessoas transferidas. A mãe de um dos jovens, presente no local e aguardando a liberação ou transferência do filho, fazia orações para que o filho possa ser levado para casa.
O restante dos familiares, com a transferência dos presos em dois camburões da PM, choravam e pediam a soltura dos manifestantes. Muitos gritavam contra os policiais e prometiam tomar providências para que os presos fossem liberados. 
Ainda na noite de ontem, o restante dos presos foi liberado. O delegado da Central de Flagrantes, James Guerra, estipulou a fiança para a liberação dos presos no valor de 10 salários mínimos, o que corresponde a R$ 6.220. O valor deve ser determinado pelo juiz, mas não havia nenhum juiz de plantão na cidade durante a noite de ontem. Alguns dos presos foram liberados sem o pagamento da quantia.
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Fotos: Jailson Soares.
Mais informações em instantes.

Marcelo Freixo vai acionar Secretaria Nacional de Direitos Humanos sobre prisão dos manifestantes (em Teresina)

Deputado do RJ achou um absurdo prisão e vai pedir providências



Deputado Marcelo Freixo


O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) vai acionar a Secretaria Nacional de Direitos Humanos para intervir na cobrança do pagamento de R$ 6 mil de fiança para libertar os manifestantes presos ontem (10) durante o confronto com a Polícia Militar, na Avenida Frei Serafim.
A afirmação foi postada agora há pouco no Twitter do deputado. "vou (sic) entrar em contato com a secretaria nacional de direitos humanos, isso é um absurdo. O governo federal tem que agir", disse o parlamentar do RJ em seu perfil no microblog.
Marcelo Freixo foi comunicado do fato pelo estudante de jornalismo Caio Bruno, através do próprio Twitter. Bruno disse que os manifestantes estão sendo acusados de formação de quadrilha e encaminhados para penitenciárias.
Marcelo Freixo ficou conhecido nacionalmente após deixar o Brasil no dia 1º de novembro por conta das ameaças que vinha sofrendo da milícia do Rio de Janeiro. Ele retornou ao país no dia 16 de novembro, após sua segurança ter sido reforçada.
Deputado Marcelo Freixo (Foto: lucianagenro.com.br)

Truculência em Teresina/ Piauí

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ônibus é incendiado; Manifestantes se confrontam com tropa de choque

Avenida Frei Serafim foi bloqueada por manifestantes no quarto dia de protesto contra o aumento da passagem.

Ampliada às 18h47

Na avenida Frei Serafim, os protestos continuaram. Os manifestantes entraram em conflito novamente com a tropa de choque, desta vez próximo a um hospital infantil. Bombas de efeito moral foram atiradas, assim como balas de borrachas. Pessoas também foram presas. 

Ampliada às 17h51

Um ônibus foi incendiado no final tarde desta quinta-feira (5) no cruzamento das ruas Coelho de Resende com Aerolino de Abreu, Centro de Teresina. O ato ocorreu em meio à manifestação contra o aumento da passagem de ônibus de R$ 1,90 para R$ 2,10 e a integração das linhas, implantada em 40% da frota e sem o segundo trecho gratuito. 


O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas no veículo da empresa Dois Irmãos, o que foi feito em pouco tempo. 

Entre agosto e setembro de 2011, durante os protestos que conseguiram impedir o reajuste da tarifa até janeiro deste ano, um outro ônibus foi queimado, na avenida João XXIII, zona Leste. 

Fotos: Daniel Cunha

Atualizada às 16h13

Por volta das 15h desta quinta-feira (5), manifestantes entraram em conflito com policiais da tropa de choque do Batalhão de Operações Especiais - Bope - na avenida Frei Serafim. Desde o final da manhã, eles fecharam a principal via do Centro de Teresina em protesto  É o segundo confronto em quatro dias de atividades.

Fotos: Daniel Cunha

O Cidadeverde.com flagrou pelo menos dois jovens atingidos por balas de borracha durante o tumulto. R. F. N., 17 anos, ficou com um hematoma em uma das coxas. O mesmo aconteceu com uma jovem, também de 17 anos, de identidade ainda desconhecida. Os dois são estudantes secundaristas e prosseguiram pela avenida Frei Serafim com os demais manifestantes, que por volta de 15h30 chegaram ao cruzamento da avenida Miguel Rosa. 


O último confronto aconteceu na terça-feira. Um grupo de estudantes foi preso e outros saíram feridos, acusando a polícia de truculência. Ontem, sem a presença da tropa de choque, árvores da decoração de Natal da Prefeitura de Teresina foram pichadas e pneus queimados na avenida. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas. 


Hoje, uma fila de ônibus se formou na avenida Frei Serafim, que foi bloqueada no cruzamento com a rua Coelho de Resende. A tropa de choque foi acionada para liberar a via. 

Carlos Lustosa Filho/Cidadeverde.com


Um grupo depredou um ônibus da empresa Emvipi, que faz linha para o bairro Anita Ferraz. Manifestantes com alto falante em mãos afirmam que os responsáveis pela depredação do veículo não fazem parte do movimento.

Fotos: Daniel Cunha


Por volta das 16h, os manifestantes voltaram pela Frei Serafim em direção para a praça da Liberdade.

Mais tarde, uma árvore da decoração natalina da Prefeitura de Teresina foi queimada. Uma das novas paradas do sistema de integração foi destruída. 

Fotos: Daniel Cunha

Alvo inocente
Em meio a toda a confusão, uma agente penitenciária afirmou ter sido alvo de spray de pimenta no rosto. Aldenice Melo, 33 anos, disse que saia do supermercado quando foi atingida. "Eu ia para a parada de ônibus e, de repente, quando vi, foi aquela confusão", declarou. Ela disse que ainda tentou mostrar a carteira de agente penitenciária. 

Aldenice não pretende prestar queixa porque "não dá resultado". Mesmo garantindo estar fora da manifestação, ela apoia o movimento. Mãe de três filhos que também utilizam transporte público, ela concorda com as reivindicações. 

Linchamento
Um homem foi cercado por manifestantes que suspeitam do mesmo ter agredido uma criança durante os protestos. Houve tentativa de linchamento. A tenente-coronel Júlia Beatriz Almeida, do gerenciamento de crises da Polícia Militar, informou que os PMs fizeram a escolta do homem para preservar sua integridade e o colocaram em uma viatura. No entanto, qualquer providência jurídica só poderá ser tomada se for oferecida queixa na delegacia. 

Soluções
O presidente da Câmara Municipal de Teresina, Edvaldo Marques (PSB), confirmou para a próxima segunda-feira (9) uma audiência na Casa com os manifestantes para discutir a integração do transporte público de Teresina. 

A Prefeitura mantém a posição de que pretende ampliar a integração a 100% da frota até junho e negocia com o Governo do Estado desoneração fiscal para tornar gratuito o segundo trecho da da viagem - com o sistema atual o usuário ainda paga metade da tarifa na segunda viagem. O tempo de duração para pegar dois ônibus, estipulado em uma hora, já foi ampliado para até uma hora e meia em alguns trechos, segundo o prefeito Elmano Férrer (PTB), que já declarou não retroceder na implantação do projeto. 

Da Redação
redacao@cidadeverde.com