terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Manifestantes protestam contra o aumento da tarifa de ônibus

Se aumento for aprovado, o valor atual da tarifa, R$ 2,70, pode chegar a R$ 2,95
31/01/2012
Da redação
 
Manifestantes realizarão na tarde desta terça-feira (31), em Porto Alegre (RS), um protesto contra o reajuste das tarifas de ônibus na cidade. O ato iniciará às 14h na esquina da Avenida Praia de Belas com Avenida Ipiranga e, de lá, seguirá para a sede da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), na Praça Montevidéu, centro da cidade.
Nesta segunda-feira (30), a Coordenação de Regulação de Transporte da EPTC apresentou um estudo técnico para o novo preço da passagem de ônibus, sugerindo o valor de R$ 2,88, o que representa um aumento de 6,79% em relação à tarifa atual, de R$ 2,70.
O estudo foi feito depois de um pedido de aumento da tarifa feito pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa), que pediu 9,26% de reajuste, elevando a tarifa atual para R$ 2,95. Na tarde desta terça-feira (31), ambas as propostas serão analisadas pelo Conselho Municipal de Transportes Urbanos, que passará parecer ao prefeito José Fortunati para definição da tarifa. O novo valor deve entrar em vigor ainda na primeira quinzena de fevereiro.
A forma de reajuste é definida pela Lei 8023/97. A legislação estabelece que as tarifas somente poderão ser reajustadas a pedido das empresas de ônibus por ocasião da revisão salarial dos rodoviários ou quando a inflação acumulada desde o último reajuste, medida pelo IGP-M da FGV, ultrapassar 8%.
Em 2011, o pedido de 10,2% do sindicato das empresas resultou em uma elevação de 6,5% da tarifa. No ano anterior o aumento solicitado ficou na ordem 14,69%, mas o aprovado foi de 11,3%.
Na sexta-feira (27), estudantes bloquearam a Avenida Loureiro da Silva, no bairro Cidade Baixa, em protesto contra a proposta de reajuste da tarifa. Por meio de um manifesto divulgado pelo Facebook, os manifestantes pedem que todos os movimentos sociais se somem ao ato. "Convocamos todos os movimentos de luta, todos os cidadãos indignados para lutarmos unidos contra essa exploração", afirma o texto.
O sistema de transporte coletivo de Porto Alegre transporta mensalmente 27 milhões de passageiros.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Contra o Aumento da Passagem! R$ 3,00 NÃO DÁ!

Como de praxe, o COMTU - Conselho Municipal de Trânsito Urbano, se reunirá amanhã para aprovar, a portas fechadas, mais um abusivo aumento na tarifa de ônibus de Porto Alegre. A proposta das empresas de ônibus é de que a passagem suba aproximadamente 10%.
Nessa reunião, os empresários apresentam uma planilha de custos para “justificar o aumento”, planilha esta que sequer é acessível para a sociedade civil.
Não podemos mais permitir os abusivos aumentos na tarifa do nosso transporte público que, com todas as suas deficiências, irá para quase R$3,00 em 2012!!!
VALE PAGAR R$3,00 REAIS PRA ANDAR ASSIM?
Queremos um preço justo para quem usa o transporte coletivo!
Exigimos transparência no processo de avaliação das planilhas dos custos!
Exigimos licitação, chega da máfia das mesmas empresas que estão ai à 20 sem sequer concorrer em processo licitatório!!!!
Vem com a gente! Dessa vez, não nos calarão!

Nesta terça-feira, 31/1, às 14h, na EPTC
(Rua João Neves da Fontoura, 7)


Estudantes de todo o país protestam contra aumento das passagens

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Felipe Prestes

Estudantes de várias cidades do país se reuniram na manhã desta sexta-feira (27) no Acampamento da Juventude para debater a nacionalização das lutas contra o aumento das passagens de transporte público. Após o encontro, eles fecharam por volta das 13h30 o sentido centro-bairro da Avenida Loureiro da Silva na esquina com a Augusto de Carvalho, sendo empurrados para fora da via por policiais.

Enquanto eles se deslocavam até o cruzamento, ocupando apenas parte da avenida, muitos veículos que passavam buzinavam em solidariedade. Mas quando obstruíram toda a via começaram as buzinas irritadiças e os gritos de “vagabundos”. Em questão de minutos o Pelotão de Operações Especiais da Brigada Militar chegou para acabar com o protesto. Doze policiais chegaram em dois veículos, impelindo os manifestantes liberarem a via:

– Estamos pedindo para sair quando o sinal abrir, senão o pessoal vai ser preso – ameaçou um dos policiais.

O sinal ficou verde, os motoristas grudaram a mão na buzina, mas os manifestantes não arredaram pé. Com a negativa, os policiais empurraram homens e mulheres, derrubando pertences de alguns, e levantaram os cassetetes para o alto, ameaçando usá-los.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
– Mãos ao alto, esse aumento é um assalto! – gritavam os manifestantes que, logo, acabaram deixando a via e o protesto continuou na calçada.
– A BM de Tarso segue sendo a mesma BM truculenta do Governo Yeda – bradou um dos estudantes em um carro de som. Os estudantes apontavam que nenhum dos policiais tinha a identificação à vista. Um dos policiais que coordenava a ação mostrou para a reportagem que as inscrições na farda com o nome deles ficavam embaixo dos coletes e justificou a falta de visibilidade afirmando que todos eram orientados a dizer seu nome, caso perguntassem. De fato, um deles repetia: “Quer saber meu nome? É Soldado Morais”.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Nacionalização de lutas contra aumento da passagem
Sentados em uma grande roda no Acampamento da Juventude, cerca de uma centena de jovens ouviram relatos de estudantes de vários cantos do país sobre as lutas contra aumento da passagem que se revezavam em um megafone. Chamava atenção a presença de jovens de Teresina, capital que teve os protestos mais acirrados neste início de 2012, mas também falaram pessoas de Porto Alegre, Belém, Rio de Janeiro, Vitória e Uberlândia.
Os problemas comuns relatados por eles são a falta de transparência das contas das empresas de ônibus, sempre grandes doadoras de campanha, e os aumentos sempre acima da inflação, que ocorrem geralmente nesta época do ano. “Qual é a base que justifica o aumento?”, questionou uma estudante. “Quando o nosso salário aumenta 5%, a passagem aumenta 10%”, relatou um rodoviário que participou do encontro.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Os estudantes debateram a escolha de um dia para um grande protesto simultâneo em todo o país. Eles também falaram sobre a necessidade de fazer um site único, uma identidade visual, mas mantendo a autonomia de cada cidade. Um exemplo citado foi o da Marcha da Maconha, que tem um site que divulga movimentos autônomos de todas as cidades.
Para os estudantes, a nacionalização deve ser uma mola de propulsão para os movimentos nas cidades. Uma estudante de Vitória, por exemplo, contou que na capital do Espírito Santo os protestos não reúnem mais que 150 pessoas e manifestou esperança de que a visibilidade dos protestos pelo Brasil fortaleçam o movimento capixaba. Opinião semelhante tem o paraense Zaraia Ferreira, integrante do DCE da Universidade Federal de Pará (UFPA).
“Nacionalizar significa fortalecer as lutas em nível local. Se você tem apoio de outros movimentos no país você tem mais força. A mídia também mostra mais a insatisfação das pessoas com o preço das passagens”, diz.
Para o estudante da UFRGS, Rodolfo Mohr, diretor de Movimentos Sociais da UNE, o movimento nacional deve ampliar o debate. “É uma forma de aumentar a força da população das cidades, de discutir no país o direito à cidade, ao transporte público”, afirma. Para a estudante de Direito da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Deborah Cavalcante, a nacionalização deve ampliar o número de pessoas que são contra o aumento das passagens. “Serve para massificar a identidade de estudantes e trabalhadores com esta luta”.
Deborah conta que estudantes gastaram R$ 15 mil em fianças para soltar os 51 presos nos protestos de Teresina | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Realidade do transporte público em diversas cidades
Os estudantes relataram os problemas de suas cidades, que têm muito em comum, mas também suas peculiaridades. Em Uberlândia, por exemplo, os aumentos estão estabelecidos no contrato que a Prefeitura tem com as empresas que realizam o transporte. Os aumentos ocorrem anualmente, recentemente ele chegou a ser de 26% (de R$ 1,50 para 1,90). Os protestos dos estudantes não conseguem evitar estes reajustes, porque são automáticos.
Uma estudante da Grande Vitória relatou que o valor da passagem é de R$ 2,45, considerado muito alto para uma região metropolitana bem menor que outras pelo país. Todas as concessões estão vencidas há anos e o transporte público é controlado por duas famílias, que são contumazes doadoras de campanha. Não há nenhuma opção além dos ônibus e as linhas não funcionam após as 23h.
Em Belém, os estudantes conseguiram adiar por cinco meses um aumento de passagem, mas para 2012 estão previstos dois reajustes, um que está sendo justificado pela implementação do sistema de Bus Rapid Transit (BRT) e outro ordinário. Mais de 30 entidades, entre elas a OAB, criaram um Fórum em Defesa do Transporte Público. As entidades calculam que o valor que um trabalhador de Belém pode suportar é de R$ 1,65 e as passagens custam atualmente R$ 2,00.
“Com R$ 2,00 as passagens de ônibus consomem 1/3 de um salário mínimo para um trabalhador se deslocar. Se ele tiver que bancar o transporte de uma família então, fica ainda mais difícil”, afirma Zaraia Ferreira. Ele conta que nesta quinta (25) as entidades ocuparam o canteiro de obras do BRT, obra da Andrade Gutierrez que sofre denúncias de irregularidades.
Em Teresina, a forte repressão policial que correu o país acabou rendendo vitórias para os manifestantes. A Prefeitura recuou em vários pontos da recém implementada integração de linhas, que era contestada em vários aspectos pela população. No projeto original, o cidadão pagaria meia passagem do segundo ônibus se pegasse ele no período de até uma hora depois do primeiro. Agora, a Prefeitura aceitou que o período seja de 2h30min e que a segunda passagem seja gratuita. Ainda assim, a luta não acabou. A integração foi a justificativa para o aumento da passagem, de R$ 1,90 para 2,10. “Nossa principal luta continua a ser contra este aumento”, afirma Deborah Cavalcante.
As vitórias também tiveram seu preço. Um estudante de Teresina ficou cego e vários foram feridos. Além disto, 51 pessoas foram presas e tiveram que pagar fiança no valor de 10 salários mínimos. “Estamos com uma dívida no valor de R$ 15 mil”, conta Deborah.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Três estudantes presos em protesto contra aumento de passagens

Publicado em 23.01.2012, às 16h55

Do NE10
Foi com violência gratuita que uma manhã de protestos pacíficos contra o aumento de 6,5% no valor das passagens de ônibus se encerrou, no Centro do Recife, nesta segunda-feira (23). Três estudantes foram detidos e algus ficaram feridos depois que policiais passaram a agredir e jogar spray de pimenta nos manifestantes. Os jovens prometem ir às ruas mais uma vez nesta terça-feira (24).
O momento de maior tensão aconteceu no fim da passeata, quando uma jovem de 26 anos, identificada como Juliana, levou uma gravata de um policial e foi encaminhada, com muita agressividade, para o interior de uma viatura. O motivo da prisão é desconhecido. Ela, uma garota de 14 anos e um rapaz de 19 estão na delegacia prestando depoimento. O estudante de música da Universidade Federal de Pernambuco Luiz Otávio Carvalheira teve o nariz quebrado por um agente. Ele seguiu para o Hospital da Restauração.
A passeata teve início às 10h30, depois que cerca de 300 estudantes usando máscaras, carregando bandeiras e entoando gritos de protesto saíram da Rua do Hospício, local de concentração, e seguiram para a Conde da Boa Vista, onde fecharam o trânsito. Moradores de prédios da via, solidários, jogaram papéis picados e confetes pelas janelas.
Mesmo presa no ônibus, parado no engarrafamento, a professora Gleice Maria Costa, 41, se mostrou favorável ao movimento. "Acho o protesto válido. O aumento das passagens vai pesar no bolso de todos. Tenho dois filhos e não me importaria que eles estivessem aí. Admiro esses meninos que vão às ruas lutar por causas coletivas", disse. Esperar não foi tão agradável para a vendedora Zenilda Ferreira, 61. "Esses estudantes são desocupados. Muitos nem estudam de verdade. Deveriam fazer isso à meia-noite, quando não vão atrapalhar a vida de trabalhadores", afirmou.
A chuva não desanimou os manifestantes, que, no início da Avenida Gurarapes, fizeram um círculo e ensairam uma ciranda. De lá, seguiram sentido Estação do Recife e, depois, para a Dantas Barreto. Ao retornarem à Conde da Boa Vista, se concentraram ao lado do Cinema São Luis. Lá, alguns estudante levantaram os braços e ajoelharam, como se tivessem sido rendidos, em sinal de protesto ao Batalhão de Choque que se armou na ponte.
Já impaciente, a polícia decidiu, então, lançar contra os jovens bombas de efeito moral. A manifestação dispersou, mas voltou a se formar no cruzamento da Conde da Boa Vista com a Rua do Hospício até cehgar na Rua da Soledade, na qual se encerrou depois de muita confusão entre policiais e protestantes. O choque foi embora logo após um grupo se unir, dar um abraço coletivo nos agentes e oferecer flores para eles.
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Fórum Nacional de Executivas e Federações de Curso